O cantor e compositor Bob Dylan, de 85 anos, foi recebido pelo Papa Leão XIV em uma audiência privada no Palácio Apostólico, no Vaticano, na última quarta-feira (4). O encontro reuniu dois "Bobs": o músico nascido Robert Allen Zimmerman e o pontífice, batizado Robert Francis Prevost, primeiro papa norte-americano, natural de Chicago.

As imagens divulgadas pelo Vaticano mostram os dois apertando as mãos. Leão XIV apareceu com a tradicional batina branca e Dylan todo de preto: casaco, luvas e um moletom com o capuz levantado. Foi justamente o visual encapuzado do artista que tomou conta das redes sociais assim que as fotos circularam.

O capuz que virou meme

Internautas compararam o look de Dylan a personagens como o "Kermit do Mal", o Imperador Palpatine, de "Star Wars", e os espiões disfarçados do programa humorístico "MADtv".

Bob Dylan
Bob Dylan (Foto: Vatican Pool/Getty)

Bob Dylan
Bob Dylan (Foto: Vatican Pool/Getty)


A agência Reuters chegou a brincar que o cantor estava literalmente "soprando" (blowing) o encontro com o papa, um trocadilho com um de seus maiores clássicos, "Blowin' In The Wind".


Rosário e autobiografia

Durante a audiência, os dois trocaram presentes simbólicos: o papa entregou um rosário a Dylan, enquanto o músico presenteou o pontífice com um exemplar de sua autobiografia, "Chronicles: Volume One". O encontro foi articulado pelo padre Antonio Spadaro, religioso conhecido por aproximar a Igreja Católica do mundo do entretenimento, e que também havia ajudado a organizar, no início deste ano, a visita da cantora Patti Smith a Leão XIV.

"Era difícil não sentir a emoção de fazer parte de um encontro com um verdadeiro senso de história, com a sensação de que, a cada passo pelo Palácio Apostólico, absolutamente qualquer coisa poderia acontecer", escreveu Spadaro nas redes sociais.

Um papa fã de Dylan

Leão XIV é admirador declarado do trabalho do cantor. Segundo a CNN, o pontífice já havia citado uma canção pouco conhecida de Dylan, a faixa antinuclear "Go Away You Bomb", de 1963, no prefácio de um livro sobre desarmamento publicado em julho. Escrita no auge da Guerra Fria, a música, que nunca foi oficialmente gravada ou lançada, fala sobre os perigos das armas nucleares, tema alinhado aos apelos de paz do próprio papa.

Não é a primeira vez com um papa

Este não foi o primeiro encontro de Dylan com um líder da Igreja. Em 1997, o artista se apresentou no 23º Congresso Eucarístico Nacional, em Bolonha, na Itália, diante do Papa João Paulo II. Na ocasião, tocou clássicos como "Knockin' On Heaven's Door" e "A Hard Rain's A-Gonna Fall" antes de cumprimentar o pontífice.


João Paulo II chegou a mencionar "Blowin' in the Wind" em seu discurso, respondendo à pergunta da canção sobre quantas estradas um homem precisa percorrer até ser chamado de homem: "Eu lhes respondo: uma! Há apenas um caminho para o homem, e é Cristo, que disse: 'Eu sou o caminho'", afirmou o papa, morto em 2005.

Quase três décadas depois, Dylan voltou à companhia papal. Desta vez, não precisou levar o violão. O cantor segue em turnê pela Europa, com shows marcados em cidades como Antuérpia, Zurique, Milão, Roma, Viena e Munique, além da Royal Festival Hall, em Londres, até dezembro de 2026.