Sempre disposto a comprar brigas, Roger Waters voltou a mirar os próprios pares. Em declarações recentes, o músico britânico criticou astros do rock que se recusam a tomar partido diante de temas políticos e citou nominalmente Mick Jagger como exemplo desse comportamento que, para ele, beira a omissão.
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Segundo Waters, boa parte das grandes estrelas prefere o silêncio conveniente a arriscar parte do público, e, na leitura dele, essa neutralidade tem menos a ver com convicção artística do que com dinheiro: os colegas estariam mais atentos ao próprio saldo bancário do que ao mundo à sua volta.

A cobrança é coerente com a trajetória do artista, que fez do ativismo uma marca dentro e fora do Pink Floyd e transformou shows em manifestos contra líderes que apelidou de "porcos", de Donald Trump a Jair Bolsonaro. Não à toa, faixas como "The Bravery Of Being Out Of Range" seguem no repertório como recado direto.


O alvo da vez, porém, tem uma visão bem diferente sobre o papel do artista no palco. Em entrevista concedida há algumas semanas, Mick Jagger resumiu como enxerga sua função durante os shows dos Rolling Stones: "Meu trabalho no mundo da música ao vivo é garantir que o público se divirta ao máximo e esqueça todos os seus problemas, os problemas do mundo, suas hipotecas e tudo mais. (...) Você não quer dar sermão neles."

Para Roger Waters a questão vai mais além. "O Mick, nós sabemos, está interessado em seu físico, em seu saldo bancário e que se dane o resto", disse ele com uma pitada de humor.

Ao ser questionado por que poucas pessoas da indústria musical se manifestam sobre o assunto, ele acrescentou: “Pessoas que quiseram entrar em bandas de pop e se apresentar para milhares de pessoas para se exibir dificilmente vão desenvolver o lado empático da sua natureza e se importar com pessoas pobres, negras, assassinadas ou vítimas de genocídio, porque estão ocupadas demais pensando no quanto elas mesmas são demais".

Veja a entrevista completa abaixo: