Maria Rita abriu uma das páginas mais íntimas de sua história ao contar como só descobriu a verdadeira causa da morte da mãe, Elis Regina, aos 13 anos. Em entrevista ao programa "Conversa Vai, Conversa Vem", do O Globo, a cantora afirmou que o tema era cercado de silêncio dentro de casa.
(Foto: Reprodução Facebook / Maria Rita)

Durante boa parte da infância, Maria ouviu que a mãe havia partido por causa de um "dodóizinho no coração". A explicação nunca a convenceu. Na pré-adolescência, decidiu procurar respostas sozinha, mesmo sabendo do tabu. "Em casa, tinha um entendimento de que era um assunto proibido", relembrou.

A oportunidade surgiu enquanto o pai viajava e a avó cuidava dela e dos irmãos. Foi então que a menina encontrou, escondido no fundo de um armário, um pequeno livro biográfico sobre Elis, que passou a ler às escondidas sem imaginar que estava sendo observada.

"Mal sabia eu que, todos os dias de manhã, quando eu ia para a escola, minha avó entrava no meu quarto para arrumar e ela viu", contou a artista. Mesmo percebendo a delicadeza do assunto, a avó escolheu não interromper a descoberta da neta.

A leitura chegou ao fim numa noite, sozinha no quarto. "A última frase do livro... eu tive uma reação um pouco violenta. Ela abriu a porta do meu quarto, colocou a cabecinha assim para dentro e ficou me olhando", descreveu Maria Rita.

Daquele instante nasceu um pacto silencioso entre as duas. "Quando eu vi ela, falei: 'Vó, é verdade?'. Na troca de olhares, eu entendi que ela sabia que eu estava lendo e que ela deixou. Ela fez 'uhum', fechou a porta", recordou.

"Virou uma coisa minha e dela. Ela passou a confidenciar coisas comigo sobre a nossa realidade ali", completou a cantora, que cresceu em meio a uma forte campanha contra as drogas e demorou a compreender a situação vivida pela mãe.



O peso daquele contexto marcou sua forma de enxergar Elis. "Aquilo me confundia a cabeça. Eu falava: 'Mas é minha mãe. Ela era péssima?'. Não entendia muito bem", refletiu.

Anos depois, uma amiga próxima da mãe a ajudou a ressignificar a história. Segundo Maria, ouviu que Elis não tinha com as drogas a relação que muitos imaginavam e que a morte "foi uma fatalidade". "Ela era careta", disse a amiga, que reforçou: "Sua mãe era completamente apaixonada por você".

A descoberta mudou também a relação da cantora com as substâncias. "Do álcool, não. Não vou mentir, mas das drogas, 100%. Sou careta com orgulho", declarou.

Não foi a única confissão da entrevista. Na mesma conversa, como mostramos quando Maria Rita revelou que não consegue ouvir as músicas da mãe, a artista falou sobre o estresse pós-traumático que ainda afeta seu contato com a obra de Elis Regina.