A faixa "BAD", que abre o mais recente mini álbum do grupo sul-coreano de k-pop ATEEZ, intitulado "GOLDEN HOUR: Part.5" e lançado no último fim de semana, tornou-se alvo de crescentes críticas por parte dos fãs brasileiros.

Em movimento organizado nas redes sociais, representantes do fandom exigem um posicionamento formal da agência KQ Entertainment, responsável pelo grupo, pela utilização da cultura do funk brasileiro como ferramenta de marketing sem que houvesse representação genuína do país no projeto.

Antes do lançamento, a antecipação entre os fãs brasileiros foi elevada ao ser divulgado que a faixa incorporaria influências do funk nacional. Ao ouvir a canção, porém, parte expressiva do público se deparou com uma sonoridade que, embora contenha elementos do funk brasileiro, não apresenta qualquer verso em língua portuguesa.

O videoclipe oficial também foi criticado por trazer referências culturais consideradas excessivamente genéricas dentro do espectro latino, sem especificidade que remeta ao Brasil.



Movimento nas redes sociais

Sob a hashtag #RespectBrazilianATINY — amplamente difundida no X, antigo Twitter —, os fãs organizaram o envio massivo de mensagens de feedback diretamente à KQ Entertainment, exigindo resposta oficial.

A crítica central concentra-se no que o fandom descreve como uso instrumental da identidade cultural brasileira para ampliar o engajamento e a visibilidade comercial do lançamento, sem contrapartida simbólica ou logística para o público local.

Entre os pontos sistematizados pelos fãs como exemplos da negligência da agência em relação ao Brasil estão a ausência de edições especiais do álbum destinadas ao mercado local, a exclusão do país das datas de turnês recentes, a não realização de eventos pop-up no território nacional e a falta de qualquer comunicado oficial da KQ Entertainment dirigido à comunidade brasileira.

Histórico sobre o uso do funk em outros mercados

O debate sobre o uso do funk por artistas internacionais não é inédito. Em 2021, Cardi B também foi envolvida em controvérsia ligada ao gênero, embora tenha se manifestado publicamente em defesa e elogio ao funk brasileiro.

No caso do ATEEZ, os fãs ressaltam que a questão ultrapassa o campo estritamente musical, envolvendo a ausência de reconhecimento e de representação adequados da cultura de origem.

Até o momento, nem o grupo nem a KQ Entertainment emitiram qualquer declaração pública em resposta ao movimento #RespectBrazilianATINY.