Sonny Rollins, considerado o último representante vivo da era de ouro do jazz, morreu nesta segunda-feira (25), aos 95 anos, em sua residência em Woodstock, no estado de Nova York.
O anúncio foi publicado nas redes oficiais do saxofonista, que vinha enfrentando há anos problemas respiratórios que o haviam afastado dos palcos.
Apelidado de "colosso do saxofone", em referência ao seu influente álbum de 1956, Rollins ajudou a redefinir o instrumento dentro do hard bop, vertente que despojou o jazz de amarras estruturais e abriu espaço para improvisos longos, intensos e enérgicos. Faixas como "St. Thomas" e "Tenor Madness" se tornaram referência para gerações de músicos.
Origem
Nascido no Harlem em 1930, ele despontou ainda na casa dos 20 anos tocando ao lado de lendas como Charlie Parker, Miles Davis e Thelonious Monk. Anos depois, mantinha relação afetuosa, embora marcada por tensões artísticas, com John Coltrane.
"Penso na minha relação com Coltrane e na minha relação com Monk, foram muitas coisas estúpidas que fiz com estas pessoas e que não teria feito se fosse mais maduro", disse à AFP em 2016.
Caráter político
O caráter político esteve no centro da obra de Rollins. Em 1958, lançou "Freedom Suite", peça instrumental de cerca de 20 minutos em que traduziu, sem letras, a luta dos afro-americanos por igualdade de direitos.
No texto que acompanhou o disco, criticou a perseguição sofrida pela mesma comunidade que, segundo ele, mais havia moldado a identidade cultural dos Estados Unidos.
A vocação de comentar o próprio tempo voltou após os atentados de 11 de setembro de 2001. Quatro dias depois dos ataques, Rollins subiu ao palco em Boston em um show transformado em álbum ao vivo dedicado às vítimas.
Nos anos 1960, acreditava que a música traria paz ao mundo. "Mas depois aprendi e vivi um pouco mais", reconheceu.
Longevidade
Diferentemente da maioria dos jazzistas do pós-guerra, Rollins teve vida longa e refinou a obra até depois dos 80 anos. Atribuía a longevidade ao ioga, à disciplina e aos longos retiros espirituais que fez na Índia e no Japão, períodos em que se afastou completamente das drogas e do álcool.
"Continuo vivo porque continuo aprendendo", afirmou. Sua esposa e empresária por quase 40 anos, Lucille, morreu em 2004.
Legado
A morte de Rollins encerra um ciclo simbólico iniciado com nomes como Coleman Hawkins, Charlie Parker e John Coltrane, os mesmos saxofonistas com quem ele dividiu o panteão que ajudou a definir.
Ouça a uma das grandes obras de Sonny Rollins, "St. Thomas", a seguir:
O anúncio foi publicado nas redes oficiais do saxofonista, que vinha enfrentando há anos problemas respiratórios que o haviam afastado dos palcos.
Apelidado de "colosso do saxofone", em referência ao seu influente álbum de 1956, Rollins ajudou a redefinir o instrumento dentro do hard bop, vertente que despojou o jazz de amarras estruturais e abriu espaço para improvisos longos, intensos e enérgicos. Faixas como "St. Thomas" e "Tenor Madness" se tornaram referência para gerações de músicos.
Origem
Nascido no Harlem em 1930, ele despontou ainda na casa dos 20 anos tocando ao lado de lendas como Charlie Parker, Miles Davis e Thelonious Monk. Anos depois, mantinha relação afetuosa, embora marcada por tensões artísticas, com John Coltrane.
"Penso na minha relação com Coltrane e na minha relação com Monk, foram muitas coisas estúpidas que fiz com estas pessoas e que não teria feito se fosse mais maduro", disse à AFP em 2016.
Caráter político
O caráter político esteve no centro da obra de Rollins. Em 1958, lançou "Freedom Suite", peça instrumental de cerca de 20 minutos em que traduziu, sem letras, a luta dos afro-americanos por igualdade de direitos.
No texto que acompanhou o disco, criticou a perseguição sofrida pela mesma comunidade que, segundo ele, mais havia moldado a identidade cultural dos Estados Unidos.
A vocação de comentar o próprio tempo voltou após os atentados de 11 de setembro de 2001. Quatro dias depois dos ataques, Rollins subiu ao palco em Boston em um show transformado em álbum ao vivo dedicado às vítimas.
Nos anos 1960, acreditava que a música traria paz ao mundo. "Mas depois aprendi e vivi um pouco mais", reconheceu.
Longevidade
Diferentemente da maioria dos jazzistas do pós-guerra, Rollins teve vida longa e refinou a obra até depois dos 80 anos. Atribuía a longevidade ao ioga, à disciplina e aos longos retiros espirituais que fez na Índia e no Japão, períodos em que se afastou completamente das drogas e do álcool.
"Continuo vivo porque continuo aprendendo", afirmou. Sua esposa e empresária por quase 40 anos, Lucille, morreu em 2004.
Legado
A morte de Rollins encerra um ciclo simbólico iniciado com nomes como Coleman Hawkins, Charlie Parker e John Coltrane, os mesmos saxofonistas com quem ele dividiu o panteão que ajudou a definir.
Ouça a uma das grandes obras de Sonny Rollins, "St. Thomas", a seguir:








