Um novo documentário dirigido por Steven Soderbergh coloca em evidência um dos registros mais perturbadores da história do rock: a última entrevista de John Lennon, gravada no dia 8 de dezembro de 1980, poucas horas antes de o músico ser assassinado do lado de fora de seu apartamento em Nova York.
(Foto: Annie Leibovitz)

"John Lennon: The Last Interview" estreou no Festival de Cannes 2026 no dia 15 de maio, na seção Special Screenings, com 97 minutos de duração. O filme exibe a conversa que Lennon e Yoko Ono concederam à equipe da rádio KFRC, de São Francisco, dentro do Edifício Dakota, a única entrevista que ele havia concordado em dar para divulgar "Double Fantasy", álbum lançado três semanas antes.

Durante a conversa, um Lennon empolgado e aparentemente feliz falou sobre seu retorno à música após cinco anos de silêncio, sobre política e sobre o futuro. Mas foi uma frase em especial que ganhou contornos proféticos: "Considero que meu trabalho não estará concluído até que eu esteja morto e enterrado. Espero que seja por muito, muito tempo."

Cerca de sete horas depois, Mark David Chapman atirou em Lennon do lado de fora do edifício Dakota. O músico tinha 40 anos.

Soderbergh montou o documentário acompanhando o áudio da entrevista com centenas de fotografias inéditas do músico - em casa, com Yoko e ocasionalmente com os The Beatles. O crítico Owen Gleiberman, da Variety, descreveu Lennon no material como "no auge da felicidade", mas também "no seu mais messiânico".

A entrevista também trouxe reflexões políticas e sobre os anos 70: "As pessoas têm o poder de criar a sociedade que desejam. Acho que está na hora de uma mudança", disse Lennon.

“Fiquei surpreso com o quão abertos e animados eles estavam para conversar”, disse Soderbergh sobre o casal de artistas. “Você pensaria que eles nunca tinham sido entrevistados antes. Então eu quero que isso transpareça para o público. Tudo o que eles disseram 45 anos atrás não é apenas relevante hoje. É ainda mais relevante em termos de relacionamentos, política, a forma como tratamos uns aos outros. Como os sistemas agem sobre o indivíduo e, acima de tudo, sobre a importância do amor em nossa vida cotidiana e no nosso mundo.”

Ainda não há previsão de estreia ou confirmação de plataforma de streaming para o Brasil.