Enquanto fãs formam fila nos cinemas, a cinebiografia "Michael" chega às salas brasileiras nesta quinta-feira (23) carregado de controvérsias.
Dirigido por Antoine Fuqua e com Jaafar Jackson — sobrinho do cantor — no papel principal, o filme sobre a vida de Michael Jackson acumula apenas 27% de aprovação no Rotten Tomatoes e 38 pontos no Metacritic.
A história por trás das câmeras é tão turbulenta quanto a do próprio Rei do Pop.
Listamos as 5 principais polêmicas envolvendo a produção do filme. Confira:
1. A cena que precisou ser apagada: o caso Jordan Chandler
A polêmica mais grave veio à tona depois das filmagens. O roteiro original incluía uma sequência ambientada em 1993 mostrando a chegada da polícia ao rancho Neverland após as acusações de abuso sexual feitas pelo então adolescente Jordan Chandler.
O trecho foi filmado — e precisou ser inteiramente cortado. O motivo: uma cláusula do acordo de US$ 23 milhões firmado entre o espólio de Jackson e a família Chandler proíbe qualquer representação do caso em produções sobre o cantor.
Descoberta tardiamente pelos advogados do espólio, a cláusula obrigou refilmagens que custaram entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões — bancadas pelo próprio espólio.
O filme final não faz nenhuma menção a Jordan Chandler, ao documentário "Leaving Neverland" (HBO, 2019) nem às acusações posteriores.
2. Greve dos atores, incêndio e atrasos em cascata
Antes de chegar às salas, o filme enfrentou uma série de percalços. Em setembro de 2023, as filmagens foram interrompidas pela greve do SAG-AFTRA, que paralisou Hollywood por meses. As gravações só começaram de fato em janeiro de 2024 e foram concluídas em maio do mesmo ano.
Outro imprevisto foi o incêndio na residência do roteirista John Logan, que destruiu parte do trabalho no roteiro. Somados os contratempos, o projeto saiu de uma previsão inicial de abril de 2025 para a estreia em 2026.
3. Jaafar Jackson no papel principal: talento ou conflito de interesses?
A escolha de Jaafar Jackson, sobrinho de Michael, para interpretar o tio gerou debate desde o anúncio.
Críticos questionam se um membro da família teria isenção para retratar os aspectos mais sombrios da trajetória do cantor.
A performance em si foi elogiada pela maioria dos críticos — mas a questão sobre objetividade permanece em aberto. Taj Jackson, primo de Michael, rebateu os críticos afirmando: "vocês não controlam mais a narrativa".
4. A narrativa "sanitizada" e as críticas ferozes
Com 27% no Rotten Tomatoes, o veredicto é duro. O crítico do jornal Telegraph afirmou que o filme "se recusa a encarar o elefante na sala".
O Hollywood Reporter o descreveu como "amigável aos fãs e sancionado pela família, mas sanitizado".
A queixa é praticamente unânime: é impossível fazer uma cinebiografia crível de Michael Jackson sem abordar as acusações e investigações que marcaram a segunda metade de sua vida.
5. O que funciona: a música (mas, ausências são sentidas)
O público parece menos implacável que a crítica.
As cenas de shows com clássicos como "Billie Jean" e "Thriller" são apontadas como os pontos altos incontestáveis do filme.
Porém, o filme cobre a carreira do cantor até o disco "Bad", o que pode deixar alguns admiradores insatisfeitos.