A Ticketmaster e a Live Nation foram consideradas um monopólio ilegal pela justiça norte-americana. Um júri federal de Manhattan decidiu, nesta quarta-feira (15), que as empresas operaram de forma anticompetitiva, prejudicando consumidores, artistas e casas de shows em todo o país.
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A decisão representa uma vitória para 33 estados americanos e o Distrito de Colúmbia, que acusaram a Live Nation -- dona da Ticketmaster desde a fusão em 2010 -- de controlar de forma abusiva diversos setores da indústria de entretenimento ao vivo, incluindo promoção de shows, gestão de artistas, operação de casas de shows e venda de ingressos.

De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, a Ticketmaster controlava cerca de 80% do mercado primário de ingressos para shows, além de uma fatia crescente do mercado de revenda. O júri determinou que a empresa cobrou US$ 1,72 a mais por ingresso vendido, o que pode resultar em centenas de milhões de dólares em indenizações.

Artistas como Taylor Swift, Pearl Jam, The Cure e Olivia Dean já criticaram publicamente a forma como a Ticketmaster lidou com a venda de ingressos para seus shows. O caso de Taylor Swift foi emblemático: em 2022, a pré-venda da Eras Tour causou um colapso no sistema da Ticketmaster, deixando milhões de fãs sem conseguir comprar ingressos.

"Por tempo demais, a Live Nation e a Ticketmaster se aproveitaram de fãs e artistas ao elevar os preços dos ingressos e sufocar qualquer concorrência que ameaçasse seu poder", declarou Letitia James, procuradora-geral de Nova York, após o veredicto.

A Live Nation, por sua vez, contestou a decisão. "O veredicto do júri não é a palavra final sobre este assunto. Moções pendentes determinarão se as decisões sobre responsabilidade e danos serão mantidas", afirmou a empresa em comunicado, sinalizando que pretende recorrer.

Antes do julgamento, o Departamento de Justiça dos EUA e alguns estados já haviam fechado um acordo de US$ 280 milhões com a Live Nation, que incluía limitar taxas de serviço em determinados anfiteatros e dar mais flexibilidade às casas de shows na escolha de promotores e distribuidores de ingressos. Porém, a maioria dos estados considerou o acordo insuficiente e seguiu adiante com o processo.

O juiz federal Arun Subramanian deverá conduzir agora um segundo julgamento para definir as medidas corretivas, que podem incluir a separação forçada entre a Live Nation e a Ticketmaster, o que representaria uma mudança histórica na indústria musical global.