Sharon Osbourne recebeu o Visionary Award ("Prêmio Visionário") durante a Billboard Power 100 Party 2026, no Zouk Los Angeles, em evento conduzido por Clive Davis, Michelle Anthony e pela diretora executiva da Billboard, Leila Cobo (Foto: Greg Doherty/Getty Images).

Em seu discurso, Sharon aproveitou para exaltar o marido Ozzy Osbourne, que morreu no dia 22 de julho do ano passado, aos 76 anos, dias após o show de despedida que fez com seus companheiros do Black Sabbath.

“Conheci alguém na minha vida quando eu tinha 18 anos. Eu era recepcionista do meu pai. Ele entrou no escritório e eu não pude acreditar naquele homem que entrou vestindo pijamas listrados, com um feto preso a um barbante em volta do pescoço e sem sapatos. Esse homem era Ozzy Osbourne. Eu o vi se apresentar naquela noite com o Black Sabbath em um clube chamado Marquee, em Londres, um local lendário. Nunca tinha visto nada parecido na minha vida. Eu fiquei tipo: ‘Que porra eles estão fazendo? Isso é uma merda.' E, depois da segunda música, eu pensei: ‘Meu Deus, o que eles estão fazendo? Nunca ouvi nada assim'", relembrou Sharon.

"Era elétrico. O suor escorria pelas paredes. Era algo que eu nunca tinha visto antes. Eu já tinha visto os maiores artistas do mundo se apresentarem, mas nunca tinha visto nada assim. E eles procuraram meu pai para empresariamento. E saíram do escritório aterrorizados com ele, achando — e com razão — que ele roubaria o dinheiro deles, e estavam apavorados. E, nove anos depois, acabei trabalhando com todos eles", continuou ela.

Ela relembrou a saída de Ozzy Osbourne do BLACK SABBATH em 1979, a negativa da Warner e, depois, a assinatura com a CBS, citando o episódio no encontro com executivos da gravadora.

“Meu marido se separou do SABBATH em 1979. Quer dizer, ele não se separou — eles deram um pé na bunda dele. Ele ainda tinha contrato com a Warner Brothers na época e já havia terminado seu primeiro disco solo. Entregamos o álbum ao Mo Ostin [presidente e CEO da Warner Bros. Records de 1972 a 1994], e ele nos mandou de volta um bilhete bem curto que dizia: ‘Boa tentativa, mas vamos recusar. E desejamos toda a sorte do mundo no futuro'", seguiu Sharon.

Ozzy Osbourne
Ozzy Osbourne (Foto: Ross Halfin)


"Então fomos para a CBS Records, que nos deu 60 mil dólares, e o Ozzy foi até a CBS para um encontro com executivos e para assinar o contrato. E ele levou duas pombas com ele. E, nesse encontro, que durou apenas dois minutos, ele decidiu arrancar a cabeça de uma das pombas e jogá-la sobre a mesa. Walter Yetnikoff [presidente da CBS Records International de 1971 a 1975 e depois presidente e CEO da CBS Records de 1975 a 1990] mandou nos expulsarem fisicamente do prédio e nos avisou que, se Ozzy colocasse os pés ali novamente, ele destruiria qualquer resquício de carreira que ainda lhe restasse. Ozzy nunca mais voltou àquele prédio, mas vendeu quase cem milhões de discos para aquele selo. Então ele fez do jeito dele. Tudo o que fez, fez à sua maneira".

A viúva, então, destacou a individualidade do músico: "Ele era selvagem. Ele era criativo. Ele escreveu algumas das melhores linhas melódicas do heavy metal. Ninguém era melódico no metal, exceto Ozzy Osbourne, e foi isso que o fez se destacar. Ele era único. E nunca, jamais, haverá outro maldito Ozzy Osbourne nesta indústria novamente. Ele era único.”

Além de exaltar Ozzy Osbourne, com quem foi casada por mais de 43 anos, a empresária também falou sobre sua própria carreira. “Tenho que dizer que, quando comecei na indústria da música, na já madura idade de 15 anos, nunca tive a intenção de ganhar prêmios para mim. Eu acreditava que esse privilégio pertencia aos artistas que um dia eu iria empresariar. Minha visão sempre foi ajudar pessoas extraordinariamente talentosas a alcançar a grandeza, e essa sempre foi a minha visão.”

Ozzy Osbourne
Ozzy Osbourne Casamento entre Sharon Osbourne e Ozzy (Foto: Reprodução Instagram)


“Eu me sentia atraída por artistas que tinham aquela coisa, aquele algo a mais, aquele fator ‘x, aquilo que você nunca consegue engarrafar. Não dá para fabricar. É algo que é um dom divino. Há muitas, muitas pessoas nesta indústria que são extremamente talentosas, mas existe um pequeno grupo de artistas que têm grandeza. Eu sempre me senti atraída por isso. Não tendo uma gota de talento eu mesma, eu era atraída como um ímã por pessoas que tinham talento. E tive a honra de crescer convivendo com artistas que vi se apresentar repetidas vezes: Gene Vincent, Sam Cooke, os EVERLY BROTHERS, Chuck Berry, Brenda Lee e, claro, um dos meus favoritos, Little Richard. Foi uma verdadeira aula magna para aprender o que é a arte de verdade. E essas pessoas ainda são relevantes hoje e continuarão sendo daqui a cem anos.”

Sharon também falou sobre o pai, a quem atribuiu parte da formação profissional, apesar de críticas diretas à maneira como ele lidava com artistas: “Meu pai era um visionário. Ele foi um empresário muito, muito bem-sucedido nesta indústria. Ele também era um ladrão. Aprendi muito com ele. Vi as coisas que se deve fazer certo, vi as coisas que se deve fazer errado. Vi como ele tirava dos artistas. Ele os transformava em estrelas, mas todos eram enganados e ficavam sem seu dinheiro, algo que eu considerava abominável. Mas, de qualquer forma, tenho que agradecê-lo, e agradeço por ter me dado a educação musical mais incrível. Aprendi tudo com ele.”


“A filosofia do meu pai era: ‘Vou fazer de você uma estrela. Eu fico com o dinheiro.' E ele ficou com tudo. Mas eu tive a chance de empresariar uma lenda. E eu fiz isso do jeito certo", acrescentou.

Perto do fim da fala, Sharon citou o incentivo do pai para que ela se tornasse referência no meio, e declarou que pretende seguir trabalhando no setor: “A única coisa que meu pai realmente me ensinou foi que eu podia conquistar qualquer coisa que quisesse, e ele de fato me deu forças para ser a melhor que eu pudesse ser. E ele me disse, quando eu tinha 15 anos, que, se eu quisesse vencer nesta indústria, precisava saber mais do que qualquer outro homem nela. E ele me ensinou bem. E eu diria que tenho mais coragem do que muitos homens, e tenho bastante orgulho disso.”

“Mas, falando sério, esta indústria é simplesmente magnífica. Eu nunca teria desejado estar em nenhuma outra. Sou profundamente atraída pela criatividade, por pessoas que dedicam suas vidas a fazer arte, a fazer música, e eu aproveitei cada minuto disso. E ainda tenho muito trabalho a fazer, e continuarei nesta indústria. E um verdadeiro visionário é o meu marido. Que Deus os abençoe. E muito obrigada", finalizou Sharon Osbourne.

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