Kanye West publicou, nesta segunda-feira (26), um anúncio no jornal "Wall Street Journal" para pedir desculpas “a quem ele magoou” por ter feito apologia ao nazismo.

De acordo com a revista “Vanity Fair”, o espaço foi pago pela marca Yeezy.

No texto, o músico — que também usa o nome “Ye” — afirma que não é antissemita e diz que “perdeu o contato com a realidade”.

O rapper escreveu: "Lamento e estou profundamente envergonhado pelas minhas ações nesse estado, e estou comprometido com a responsabilização, o tratamento e mudanças significativas. Isso, porém, não justifica o que fiz. Eu não sou nazista, nem antissemita. Eu amo o povo judeu".

A carta menciona que, em 2022, ele fez declarações dizendo ter “amor” pelos nazistas e admiração por Adolf Hitler. Também registra que, no ano passado, ele passou a vender itens com suásticas e lançou a música "Heil Hitler".

As falas levaram a rompimentos comerciais com grandes marcas e impactaram a carreira do artista, que deixou de ser bilionário e teve dificuldade para se apresentar em diferentes locais, incluindo o Brasil.

No ano passado, havia um show previsto em São Paulo, mas a apresentação foi cancelada após manifestação do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e a abertura de um inquérito pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

Segundo o prefeito, a cidade não autorizaria atividades em equipamentos públicos envolvendo artistas que façam apologia ao nazismo.

Na carta, Kanye West relembra um acidente de carro em 2002 e relata que isso teria resultado em lesões cerebrais e em um diagnóstico de transtorno bipolar tipo 1, apontando que teria entrado em um estado “fragmentado”.

Ele também escreve: "Perdi o contato com a realidade. As coisas pioraram quanto mais ignorei o problema. Eu disse e fiz coisas das quais me arrependo profundamente. Algumas das pessoas que eu mais amo, tratei da pior forma. Vocês suportaram medo, confusão, humilhação e o esgotamento de tentar lidar com alguém que, às vezes, era irreconhecível. Olhando para trás, eu me afastei do meu verdadeiro eu."

Ainda segundo o texto, no início de 2025, ele teria vivido “um episódio de mania de quatro meses, com comportamentos psicóticos, paranoicos e impulsivos, que destruiu minha vida”, e acrescenta: "À medida que a situação se tornava cada vez mais insustentável, houve momentos em que eu não queria mais estar aqui".

Ao final, ele diz que está retomando um modo de vida saudável e afirma que não pede “simpatia, nem passe livre”, mas solicita paciência e compreensão durante a recuperação.

Kanye West se prepara para lançar um novo disco nesta sexta-feira (30).