Duas ex-funcionárias acusam Julio Iglesias de agressão sexual e tráfico humano (Foto: Carlos Giusti/AP).

As denúncias vieram a público após uma investigação conjunta de três anos feita pela emissora espanhola Univision Noticias e pelo site elDiario.es, que ouviu e reuniu depoimentos de 15 antigos funcionários do cantor.

As duas mulheres afirmam que, durante o período em que trabalharam para o artista, sofreram “toques inadequados, insultos e humilhação” e situam os episódios em 2021.

Uma delas, identificada como “Rebecca” para preservar a identidade, relata que, ao fim do expediente, era chamada ao quarto do cantor, então com 77 anos, e tocada de maneira inadequada sem consentimento; ela também diz que isso ocorria, em geral, com a presença de outra funcionária e que a experiência a fazia sentir-se “como uma escrava”.

A segunda denunciante, que usa o nome “Laura”, alega ter sido beijada na boca e apalpada por Julio Iglesias sem autorização. Ambas descrevem ainda “um ambiente de controle e assédio constantes” e o acusam de “normalizar o abuso”.

Segundo o elDiario.es, relatos de ex-integrantes da equipe citam isolamento, conflitos trabalhistas, uma estrutura hierárquica rígida e um ambiente tenso associado ao temperamento do cantor.

O veículo também diz que as duas mulheres foram ouvidas repetidas vezes por mais de um ano, com versões consistentes, e que haveria material de apoio, incluindo fotografias, registros de chamadas, mensagens no WhatsApp, vistos, laudos médicos e outros documentos.

Ainda de acordo com a apuração, ex-funcionários apontaram que o recrutamento buscava mulheres jovens e que candidatas precisavam enviar fotos do rosto e do corpo inteiro.

Rebecca e Laura também dizem que, pouco após chegarem, Julio Iglesias teria feito perguntas inadequadas sobre preferências sexuais. As duas registraram queixa formal, acusando o cantor, hoje com 82 anos, de tráfico humano, cujos detalhes não foram divulgados, e agressão sexual.

De acordo com o The Guardian, as acusações são objeto de uma investigação preliminar conduzida pelos promotores do tribunal.

Univision Noticias e elDiario.es afirmam ter tentado contato com Julio Iglesias por e-mail, telefone, carta e por meio de seu advogado, mas não obtiveram resposta.

A mulher citada por Rebecca como presente em parte das situações rejeitou as alegações e declarou ter apenas “gratidão, admiração e respeito pelo grande artista e ser humano que ele é”, além de descrever o cantor como “humilde, generoso, um grande cavalheiro e muito respeitoso com todas as mulheres”.

A presidente da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, também saiu em defesa do artista e publicou: “A região de Madri jamais contribuirá para o descrédito de artistas — e menos ainda quando se trata do mais universal de todos os cantores: Julio Iglesias.”

Já a ministra do Trabalho da Espanha, Yolanda Díaz, classificou as acusações como “perturbadoras” e afirmou que os relatos descrevem “agressões sexuais e uma situação de escravidão”.